Governo do Distrito Federal
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23/05/16 às 21h45 - Atualizado em 29/10/18 às 12h03

Codeplan apresenta estudo sobre população cigana no DF

Com o objetivo de identificar as principais demandas e dar visibilidade ao povo cigano, a Codeplan apresentou hoje,23, às vésperas da comemoração do Dia Nacional do Cigano, Invisibilidade e Preconceito: um estudo exploratório sobre os ciganos no Distrito Federal.

Algumas dificuldades foram encontradas, como escassez de estatísticas oficiais sobre a população. De acordo com o estudo, os ciganos estão inseridos nas mais diversas atividades econômicas e pertencem às mais diversas faixas de renda. Foram observadas também as demandas dos grupos que são divergentes, contudo a demanda de combate ao preconceito é presente em todas etnias. A ausência de unicidade na representação e a diversidade das demandas são identificadas como o grande desafio para o desenho de políticas públicas que visem a conciliar medidas de combate à desigualdade aos mecanismos que garantam seus direitos como comunidade tradicional.

Uma das autoras do estudo, Lídia Cristina Silva Barbosa, afirmou que essa comunidade tem muita resistência em se identificar devido ao histórico de perseguição e preconceito. “Somente no Brasil, os ciganos somam 13.556, distribuídos nos estados da Bahia, onde se registra a maior concentração, 4.517, Goiás, 1.767 e Minas Gerais, 1.599”, pontuou.

Os ciganos são identificados em três etnias distintas, Rom, Sinti e Calon, que estão ligadas à origem de migração. Nem todas as comunidades falam a mesma língua, leem a sorte e moram em acampamentos. Os que moram em acampamentos ficam sob a liderança de um líder masculino com atributos morais.

Levando em consideração o Distrito Federal, os ciganos são, em sua maioria, pretos e pardos, 81%, jovens, 80% com até 34 anos e 45% até 15 anos, e trabalham por conta própria, 52%. A principal atividade econômica desenvolvida por eles é o comércio, que surgiu como uma saída natural de sobrevivência dessa comunidade, o que pode ser ambulante formal, informal ou baseado em trocas.

Segundo a explanação, o trabalho foi realizado também por meio de entrevistas, e de acordo com os próprios ciganos, a falta de conhecimento é a maior dificuldade que eles enfrentam. “O meu sangue não é azul, é vermelho. Nós também sentimos fome, sede. A invisibilidade é o nosso maior desafio, e ela acontece pela falta de informação. Por isso nós precisamos do apoio das autoridades, é fundamental isso”, alegou o cigano da etnia Calon, Vanderlei da Rocha.

Uma das autoras do estudo, Larissa Maria Nocko, explicou que a falta de políticas públicas voltadas para essa comunidade é devido à escassez de dados. Para ajudar o governo a dar voz ao povo cigano, o trabalho identificou algumas demandas principais, como a criação de projetos institucionais de combate ao preconceito e de um centro de resgate da cultura cigana, além da disseminação nas escolas e instituições da história do povo cigano e suas tradições.

O presidente da Codeplan, Lucio Rennó, disse que “está muita clara a demanda, além da necessidade de redistribuição de recurso e acesso a bens públicos. É uma demanda típica de uma população excluída e perseguida, que precisa ter reconhecimento dos seus traços culturais”. Ao finalizar a fala, o presidente disse ter esperança de que esse estudo dê a visibilidade que o povo cigano merece.

Reportagem: Eliane Menezes, com Ana Carolina Alves
Fotos: Toninho Leite

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