Governo do Distrito Federal
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9/03/21 às 19h10 - Atualizado em 7/04/21 às 14h01

Desigualdades de gênero no DF é tema de três novos estudos da Codeplan

Observando as diferentes formas de uso do tempo entre os gêneros, as mulheres no mercado de trabalho e a diferença salarial entre homens e mulheres, os estudos devem embasar políticas públicas voltadas para a equidade de gênero

 

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou nesta terça-feira (9), três estudos relacionados às desigualdades de gênero no Distrito Federal. Para compreender a alocação do tempo da população do DF em trabalhos não remunerados, pesquisou-se sobre o uso do tempo entre outubro e dezembro de 2020, por meio da aplicação de um questionário suplementar da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-DF), feita pela Codeplan em parceria com o Dieese.

 

Nesta primeira fase, observou-se que as mulheres desempenham a maior parte do trabalho de cuidado de pessoas e afazeres domésticos não remunerados. Embora a participação feminina no mercado de trabalho tenha aumentado significativamente nas últimas décadas, houve pouca mudança na distribuição do trabalho não remunerado. As mulheres ainda são responsáveis por mais de três quartos do trabalho de cuidados e afazeres domésticos não remunerados.

 

Os resultados preliminares da pesquisa permitem observar, por exemplo, a quantidade de horas despendida por mulheres e homens do DF nas atividades de cuidado de crianças, nos afazeres domésticos, com o trabalho voluntário e com a produção para autoconsumo; e os tipos de atividades de cuidado e de afazeres domésticos que as mulheres e homens se dedicam no Distrito Federal. A pesquisa completa permitirá entender como se dá a distribuição do trabalho não remunerado entre os sexos no DF e como essa desigualdade é interseccional e se relaciona com as desigualdades de renda, escolaridade, entre outras.

 

Em relação ao mercado de trabalho, a PED-DF apontou que nos últimos cinco anos a condição das mulheres no mercado de trabalho se agravou. A geração de oportunidades ocupacionais (3,2%) foi insuficiente à incorporação de trabalhadoras na População Economicamente Ativa (9,7%), o que elevou, sobremaneira, o número de desempregadas (44,1%). Para os homens, os resultados foram similares, contudo, menos acentuados, o que ampliou desigualdades preexistentes entre os sexos.

 

O último estudo apresentado investigou a diferença salarial segundo o sexo na área urbana do Distrito Federal em 2018, levando em conta a probabilidade de se estar empregado segundo características pessoais, como escolaridade, estado civil, idade e presença de filhos no domicílio. Em relação aos salários, embora as situações de ocupação, as características pessoais e de trabalho tenham sido consideradas, a remuneração feminina era 16,4% menor que a masculina, ou seja, mesmo considerando todas as informações disponíveis, o salário das mulheres permanecia inferior ao dos homens na capital federal.

 

Para Jean Lima, presidente da Codeplan, “o debate sobre a desigualdade de gênero de modo geral, sobre violência contra às mulheres, sobre a imersão destas no mercado de trabalho, e ainda sobre seu acesso à saúde e educação, são de suma importância para que tenhamos uma melhor percepção e possamos, assim, otimizar políticas públicas voltadas para equidade de gênero”.

 

Segundo Ericka Felippelli, secretária da Mulher do DF, os estudos e dados apresentados são fundamentais para que se possa trabalhar pela redução da desigualdade de gênero no Distrito Federal, sobretudo porque “as mulheres gastam mais tempo com as atividades do lar, o que impacta o seu crescimento no mercado de trabalho, principalmente no momento atual, que estamos vivenciando uma pandemia”. “A desigualdade de gênero existe em nosso país como um problema estrutural, uma realidade muito dura”, conclui.

 

Confira os estudos:

 

Uso do tempo em trabalhos não remunerados por mulheres e homens no DF: resultados preliminares da pesquisa”: 
Sumário Executivo do estudo

Mulheres e Trabalho Remunerado no DF, entre 2015 e 2020”:

Salário feminino no DF segundo a PDAD 2018”  (link atualizado em 10/3/2021)

 

Assista no Youtube Codeplanoficial

 

Texto: Renata Nandes/Ascom Codeplan

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