Governo do Distrito Federal
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8/03/19 às 10h37 - Atualizado em 20/03/19 às 17h39

Mercado de trabalho, gênero e uso do tempo

No Dia Internacional da Mulher, a Codeplan divulga estudo que tem o objetivo de fornecer informações que subsidiem políticas públicas voltadas para as mulheres.

 

Mulheres no mercado de trabalho (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

O estudo “Mercado de trabalho, gênero e uso do tempo no Distrito Federal”, em elaboração pela Dipos, busca identificar possíveis desigualdades entre diferentes tipos de arranjos familiares relacionados ao mercado de trabalho e uso do tempo. O estudo tem como foco a população adulta, de 30 a 59 anos, e utiliza os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD e a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios – PDAD.

 

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Definições:

 

Neste texto estão elencados os principais resultados preliminares do estudo.

 

Arranjos familiares são as diferentes composições familiares. Neste estudo foram considerados:

• Monoparental feminina: família composta por mulher responsável pela família residindo com os filhos e outros parentes;

• Monoparental masculino: família composta por homem como responsável pela família residindo com os filhos e outros parentes;

• Casa com filhos: homem e mulher residindo com os filhos e outros parentes;

• Outros: inclui diversas composições, unipessoal masculina, unipessoal feminina, chefe de família, masculino ou feminino, com outros parentes ou pessoas sem relação sanguínea.

 

Sumário:

 

Conforme adiante detalhado, os resultados preliminares apontam que as desigualdades de gênero no mercado de trabalho acabam por atingir a toda a sociedade. Todas as famílias, independentemente de sua configuração familiar, apresentam reflexos da natureza da inserção no trabalho e do uso do tempo das mulheres. Destaca-se, ainda, que as famílias mais afetadas são as famílias monoparentais femininas.

 

Em relação às atividades domésticas, algumas desigualdades entre homens e mulheres chamam atenção. São elas:

i) o percentual de mulheres que fazem tarefa doméstica ainda é superior ao dos homens, ainda que essa diferença tenha sido significativamente reduzida nos últimos 10 anos;

ii) as mulheres também trabalham e despendem mais horas que os homens em tarefas domésticas; e

iii) persiste a divisão sexual do trabalho nas tarefas domésticas, ou seja, o percentual de mulheres que se dedicam a tarefas de preparação de alimentos, limpeza, arrumação, e organização das tarefas domésticas ainda é consideravelmente superior ao dos homens. Em casa, os homens se dedicam, sobretudo, às atividades de pequenos reparos na residência e nos eletrodomésticos.

 

Resultados destacados:

 

Em um terço das famílias chefiadas por mulheres, a chefe não possui ocupação econômica

 

O percentual de mulheres chefes de famílias monoparentais sem ocupação econômica é de 32,5%, número consideravelmente superior ao dos chefes dos demais tipos de arranjos familiares, inclusive da monoparental masculina, cujo percentual de chefes sem ocupação econômica é de 19,0%.

 

O percentual de famílias monoparentais em que as chefes mulheres possuem emprego sem carteira assinada também é superior aos outros tipos de arranjos (7%). Esses dados apontam que, entre as mulheres chefes de família, o desemprego é maior quando comparadas com as outras configurações familiares.

 

Em 2015, 50% das famílias chefiadas apenas por mulheres, as chefes recebiam até um salário mínimo

 

Nas famílias monoparentais femininas, 50% das mulheres chefes da família recebiam até um salário mínimo, renda inferior à dos chefes de famílias dos demais arranjos familiares.

 

Consequentemente, 50% das famílias monoparentais femininas viviam em 2015 com renda per capita de R$ 397,00, o que sugere maior vulnerabilidade em relação aos outros arranjos de famílias do DF. Esse resultado indica que provavelmente as mulheres na configuração familiar monoparental têm acesso a trabalhos de menor qualidade e que consequentemente propiciam a menor renda a elas. Além de constituírem um arranjo familiar com um dos maiores números médios de pessoas por domicílio, possivelmente sustentadas por estas mulheres.

 

Em 2015, metade das famílias monoparentais chefiadas por mulheres negras no DF possuíam uma renda per capita de até R$ 392,14

 

Em 2015, 50% das famílias monoparentais do DF cuja chefe é mulher negra vivia com renda per capita inferior a R$392,15, correspondendo a 84,0% da renda das famílias monoparentais chefiadas por mulheres não-negras.

 

Considere-se, contudo, que as famílias monoparentais chefiadas por mulheres negras contam, em média, com mais pessoas residindo no mesmo domicílio em comparação com os domicílios chefiados por mulheres não-negras. Em todo o caso, famílias monoparentais chefiadas por mulheres negras encontram-se em situação de maior vulnerabilidade.

 

Entre a população adulta ocupada, 7 % a mais das mulheres se dedicam a tarefas domésticas quando comparadas aos homens. Contudo essa diferença já foi de 32% em 2007

 

A realização de atividades domésticas continua, em 2017, sendo um afazer mais presente entre as mulheres que entre os homens (95% das mulheres e 88% dos homens). Contudo, essa distância tem se reduzido nos últimos 10 anos.

 

Quando se restringe a análise das atividades domésticas a preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar as louças, a diferença entre os homens e mulheres ocupados, em 2017, passa a ser de 26,4%

 

Ao investigar com mais detalhes as tarefas domésticas, a PNAD Contínua evidencia a diferença de gênero na execução dessas atividades nos domicílios do Distrito Federal. 92,8% das mulheres ocupadas afirmam fazer atividades domésticas como preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar as louças. Por outro lado, entre os homens ocupados, esse percentual é consideravelmente inferior, de 66,4%.

 

 

Os homens ocupados sobressaem-se apenas na realização de pequenos reparos ou manutenção do domicílio

 

Quando considerados outros tipos de tarefas domésticas, como “x”, “y”, novamente é perceptível a desigualdade no percentual de execução dessas tarefas entre homens e mulheres, Aproximadamente 8 a cada 10 mulheres do Distrito Federal cuidam da limpeza da casa, roupas, sapatos e da organização do domicílio. O percentual na execução de tarefas domésticas por homens e mulheres apenas se inverte em caso de tarefas de pequenos reparos ou manutenção do domicílio, automóvel, equipamentos ou eletrodomésticos.

 

Somando as horas dedicadas ao trabalho doméstico com as horas trabalhadas, as mulheres trabalham, em média, 3h a mais por semana

 

Considerando a soma de horas habitualmente trabalhadas com as dedicadas aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, as mulheres do DF trabalham mais horas por semana (56h) que os homens (53h).

 

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