Governo do Distrito Federal
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19/11/20 às 8h55 - Atualizado em 19/11/20 às 8h59

Negros são maioria da força de trabalho do DF e os mais atingidos pelo desemprego

A população negra respondia por 65,2% dos trabalhadores e 72,6% dos desempregados na capital federal

 

 

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou nesta quinta-feira (19) um recorte da população negra do DF com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), em razão do Dia Nacional da Consciência Negra, que ocorre em 20 de novembro. O recorte mostra o cenário do mercado de trabalho brasiliense para os negros do Distrito Federal entre os meses de abril e setembro de 2020.

 

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De acordo com a pesquisa, a população negra correspondia a 65,2% da força de trabalho do Distrito Federal (População Economicamente Ativa) e a 72,6% dos desempregados na capital federal. De abril a setembro deste ano, 63,8% dos negros com idade igual ou superior a 14 anos participavam do mercado de trabalho brasiliense, em busca de ocupação. Porém, mais de um quinto dessa força de trabalho negra permaneceu desempregada durante esse período (22,3%).

Por outro lado, a população não negra respondia por 34,8% da População Economicamente Ativa (PEA) e a 27,4% dos desempregados no DF. Entre abril e setembro, 58,6% dos não negros com idade igual ou superior a 14 anos estavam inseridos na estrutura de trabalho local, em busca de ocupação. Esse percentual inferior aos negros contribuiu para que a força de trabalho não negra que permaneceu desempregada durante esse período fosse menor (15,8%), mas também confirmou que a dificuldade de inserção ocupacional enfrentada por esse grupo é menos intensa que no grupo de pessoas negras.

 

Considerando os resultados da pesquisa segundo raça/cor e sexo, observa-se que as mulheres negras foram as mais afetadas pelo desemprego entre abril e setembro. Apesar de serem o segundo maior grupo da PEA (30,9%), as mulheres negras representavam a maior parcela dos desempregados (39,3%). A taxa de participação desse grupo em busca de ocupação no mercado de trabalho era de 56,9%, enquanto a taxa de desemprego era de 25,4%, a maior entre os quatro grupos apresentados.

 

De abril a setembro deste ano, o maior grupo da PEA era formado pelos homens negros (34,3%). As mulheres não negras eram 17,9% da População Economicamente Ativa e os homens não negros respondiam por 16,9%. Entre os desempregados, 33,3% eram homens negros, 15,4% mulheres não negras e 12% homens não negros. Os homens negros possuíam a maior presença no mercado de trabalho em busca de ocupação (71,7%). A taxa de participação das mulheres não negras era de 53,7% e dos homens não negros, 64,7%. A taxa de desemprego nesses grupos eram de 19,4%, 17,2% e 14,2%, respectivamente.

 

POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO, CARGA DE TRABALHO E RENDIMENTOS

 

Segundo o recorte, a população negra do DF se encontrava mais presente no setor privado: 50,3% dos homens e 48,1% das mulheres estavam ocupados neste setor entre abril e setembro de 2020, face a 36,7% dos homens não negros e 40% das mulheres não negras. Em contrapartida, os não negros eram mais presentes no setor público: homens (33%) e mulheres (33,9%), enquanto 19,1% dos homens negros e 19% das mulheres negras estavam ocupados neste setor. Os homens, tanto negros (22,7%) quanto não negros (18%), eram mais presentes no trabalho autônomo. Entre as mulheres, esse percentual era de 13% entre as negras e 11% entre as não negras.

 

Apesar de os homens negros cumprirem a maior jornada média de trabalho semanal (41 horas), o rendimento médio mensal deles era de R$ 3.229, inferior ao rendimento das mulheres não negras (R$ 4.696), que cumpriam 38 horas semanais, e dos homens não negros (R$ 5.871), que cumpriam 40 horas semanais. As mulheres negras recebiam o menor rendimento (R$ 2.646), mesmo cumprindo a mesma jornada das mulheres não negras.

Considerando o rendimento médio por hora, os homens negros recebiam pouco mais da metade (53,7%) dos homens não negros, enquanto as mulheres negras não alcançavam metade daquele valor (47,4%). As mulheres não negras recebiam 84,2% do valor alcançado pelos homens não negros.

 

 

Matéria: Lucas Almeida, com supervisão de Renata Nandes

 

Foto: Tony Winston/ Agência Brasília

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