Governo do Distrito Federal
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21/03/18 às 14h41 - Atualizado em 29/10/18 às 12h14

Restrições e oportunidades para crescimento industrial no CO e DF

Por Júlio Miragaya, presidente da Codeplan

 

O Estado Brasileiro, nas décadas de sessenta a oitenta, fase mais importante do desenvolvimento industrial do País, quando teve papel ativo na definição da localização dos investimentos industriais, não dedicou à Região Centro-Oeste a mesma atenção dedicada a outras regiões. Por outro lado, desde sua fundação, uma parcela majoritária do orçamento do Distrito Federal tem sido constituída de transferências da União, o que a “dispensaria” de desenvolver um parque produtivo, até mesmo porque não precisaria gerar receita própria, permanecendo “deitada em berço esplêndido”.

Por essas e outras razões, o Centro-Oeste e Brasília ficaram às margens do processo de desconcentração espacial da atividade industrial, em curso no País nas últimas décadas.

Penso que o Centro-Oeste e Brasília, em particular, devam almejar a industrialização como forma de dar um salto qualitativo em sua estrutura produtiva e o desafio é inserir-se dentro desta nova fronteira e capitalizar parte deste processo de relocalização da atividade industrial, ainda em curso.

Algumas condições para alcançar esse objetivo estão dadas, como a existência de um amplo mercado consumidor (somente na área metropolitana de Brasília representa hoje mercado de 3,7 milhões de pessoas, com renda disponível para consumo de cerca de quase R$ 100 bilhões, configurando-se como o 3º maior mercado consumidor do País e, se considerarmos o eixo Brasília-Anápolis-Goiânia, este mercado ascende a 6,5 milhões, com renda disponível para consumo em torno de R$ 150 bilhões); o alto grau de instrução da população; a variada disponibilidade de insumos industriais e ampla base produtiva no setor agropecuário e a relativa proximidade do eixo Brasília-Anápolis-Goiânia com o eixo dinâmico da economia nacional, São Paulo.

Mas se é verdade que algumas condições fundamentais estão dadas, há, ainda, grandes entraves, como a não disponibilização de mão-de-obra qualificada e, principalmente, infraestrutura insuficiente e precária. Os investimentos realizados no país nos últimos anos, em duplicação de rodovias, novas ferrovias, hidrovias e gasodutos, concentraram-se nas regiões Sudeste, Sul, e mesmo no Nordeste, acentuando as vantagens comparativas locacionais destas em relação ao Centro-Oeste.

Dessa forma, em relação à malha ferroviária, torna-se vital a ligação de Brasília a dois grandes eixos ferroviários: com a Ferrovia Norte-Sul, que liga o porto de Itaqui (MA) à malha ferroviária do Sudeste e com a projetada Ferrovia Uruaçu (GO) – Corinto (MG) – Porto de Açu (RJ), que passará por Formosa (GO).

É também de suma importância que o gasoduto Paulínia (SP) – Ribeirão Preto (SP), que está sendo ampliado até Uberaba (MG), seja estendido até o Eixo Goiânia-Anápolis-Brasília, disponibilizando uma nova fonte energética (com reservas imensas no pré-sal) e ampliando a competitividade do “Eixo” na atração de investimentos, notadamente industriais.

Deve-se dizer com todas as letras que o argumento de que Brasília, por sua condição de Capital da República, deve desenvolver-se apenas como centro prestador de serviços não procede. Não há qualquer incompatibilidade entre o exercício das funções político-administrativas com a atividade industrial, conforme exemplo de inúmeras capitais nacionais com alto grau de industrialização, como Paris, Tóquio, Seul e Moscou. Indústria e serviços não são excludentes, pelo contrário, são complementares. O grande desenvolvimento, nestas metrópoles, de serviços especializados, foi enormemente facilitado pela ampla base industrial existente. São Paulo, maior e mais complexo centro de prestação de serviços do País, não por acaso, é também seu maior centro industrial.

Um exemplo emblemático é Cingapura que, num território 8 vezes menor que o do DF, produz um PIB industrial 70 (SETENTA) vezes maior. E o mais importante é que tal desenvolvimento industrial não resultou em poluição atmosférica e dos recursos hídricos, em face de exigências legais e da utilização de recursos tecnológicos.

A Região Centro-Oeste tende a continuar sendo, pelo menos nos próximos 20 ou 30 anos, a região de melhor desempenho econômico do País, em face notadamente de seu enorme potencial no setor agropecuário (setor em que o Brasil deverá assumir crescente destaque no cenário internacional) e das perspectivas de desenvolvimento a ele associadas, e a industrialização da região metropolitana de Brasília pode e deve capitalizar essa vantagem, podendo ser um dos caminhos, senão o principal, para a resolução dos graves problemas que a atinge, como a elevada taxa de desemprego, devendo o governo e a sociedade local se armarem de uma estratégia
para a sua efetiva promoção.

Correio Braziliense, 28/03/2013

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