Governo do Distrito Federal
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22/03/18 às 17h05 - Atualizado em 29/10/18 às 12h14

Orientar a economia para setores resilientes à crise é bom para o DF

Os anos de 2015 e 2016 foram de profunda crise econômica no Brasil. Em 2015, o Produto Interno Brasileiro (PIB) — soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país — recuou 3,8%. Em 2016, a retração ficou em 3,6%. Desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1947, não tínhamos dois anos seguidos com valores negativos do PIB.

 

Foram 11 trimestres seguidos de redução do PIB nacional. A crise foi aprofundada por um processo inflacionário que levou as taxas acima do teto da meta em 2014 e em 2015; e por taxas de juros que se mantiveram em 14,25% ao ano por boa parte de 2015 e de 2016. Situação que remete ao que vivíamos em 2006.

 

A taxa de desemprego disparou. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, houve aumento consistente do desemprego em todo o país desde o início da série, em 2012.

 

A taxa medida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) também refletiu a deterioração do mercado de trabalho em diversas regiões metropolitanas. O desemprego e o emprego informal cresceram nas principais metrópoles do país. As taxas retornaram a níveis dos anos 1990.

 

“Em suma, retrocedemos no tempo em marcha acelerada.”

 

Como consequência direta da crise nacional, a economia do Distrito Federal sofreu. O Índice de Desempenho Econômico (Idecon-DF), medido pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), apresentou oito trimestres seguidos de resultados negativos. Desde o segundo trimestre de 2014, os resultados já eram pífios.

 

Investimento estrangulado
A taxa de desemprego sobe consideravelmente desde 2014. A inflação, com os ajustes dos preços administrados, sofreu solavancos que impactaram o custo de vida na cidade. Conjugado a uma enorme restrição fiscal do GDF, que herdou situação caótica em suas contas públicas, e limitações orçamentárias e financeiras graves, o enfrentamento da crise tem sido um desafio. Com suas receitas comprometidas por gastos de pessoal e custeio, pouco sobra para investimento e políticas sociais.

 

“Não obstante o quadro econômico trágico em que vivemos — que muito castiga a população do Brasil e do Distrito Federal —, há setores da economia local que cresceram em meio à crise. Esses setores resilientes nos dão indicações sobre as possíveis vantagens econômicas comparativas do Distrito Federal, sugerindo caminhos de investimento na região.”

 

No que tange à geração de empregos, segundo dados do Ministério do Trabalho, destacam-se os setores de saúde humana e serviços sociais; o de organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, que compreende as atividades de enclaves diplomáticos ou similares. Em seguida, educação e artes, cultura, esporte e recreação também registraram saldo positivo no triênio.

 

Em relação à massa salarial, saúde e serviços sociais é o único setor que teve crescimento nos três anos. Educação, artes, cultura, esporte e recreação; ao lado de organismos internacionais, tiveram crescimento de sua massa salarial no diferencial anual em dois dos três anos, mas com saldo positivo no conjunto do período. Nenhum outro setor se comportou dessa maneira: todo o resto perdeu.

 

Qualificação
Os setores que cresceram são aqueles que exigem mão de obra qualificada e que também absorvem empregados com menos escolaridade em áreas como serviços gerais. Adicionalmente, são atividades econômicas que permitem um adensamento de cadeias produtivas no setor de serviços, abrigando ações complementares em alojamento e alimentação, comércio, pesquisa e desenvolvimento, consultorias variadas.

 

Importante destacar que as áreas de saúde e educação, atividades financeiras, informação e comunicação, atividades profissionais, científicas e técnicas, artes, cultura, esporte e recreação somam 29,6% no valor adicionado bruto do DF. Se acrescentarmos comércio e alojamento e alimentação, chegamos a 39,1%. Fortalecer essas áreas é uma trajetória natural para o desenvolvimento da região.

 

Ou seja, o setor quaternário, relacionado com a produção de conhecimento, tem grande potencial dinamizador da economia do Distrito Federal. Além de atender o consumidor local de alta renda, abundante no DF, a cidade tem o potencial de atrair tal perfil de consumo de outras regiões.

 

“Investir no parque tecnológico BioTIC é um caminho importante para estimular o setor. Ademais, projeções da Codeplan
indicam crescimento de mais de 100 mil atendimentos médicos no DF entre 2017 e 2027, representando um aumento de 26%. A área da saúde privada tem amplas perspectivas de crescimento, fortalecendo a relação com a pesquisa biomédica.”

 

Orientar nossa economia para os setores que se mostram resilientes a crises econômicas, com potencial de expansão, é um bom negócio para o DF.

 

Lúcio Remuzat Rennó Junior é presidente da Codeplan

 

Publicado originalmente na seção Ponto de Vista, portal Metrópoles, em 07/07/2017

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